Quando o vinho chegou ao Egito e à Grécia, ele já era uma bebida com alma. Mas ali, entre pirâmides e colunas dóricas, ele se tornou divino. Literalmente. O vinho deixou de ser apenas uma bebida e passou a ser ponte entre o humano e o sagrado, símbolo de status, inspiração artística e elo social.
🐍 O vinho nas margens do Nilo
No Antigo Egito, o vinho era privilégio de faraós, sacerdotes e elites. Era servido em rituais religiosos e enterrado junto aos mortos ilustres para acompanhá-los na vida após a morte. Inclusive, anfôras de vinho datadas de 3.000 a.C. foram encontradas na tumba de Tutancâmon, com inscrições detalhando safra, produtor e até o “enólogo-chefe” do faraó — um precursor do que hoje chamamos de rótulo!
Os egípcios utilizavam técnicas avançadas para a época: prensas manuais, fermentação controlada, mistura de ervas e resinas, e até a adição de figos para equilibrar a acidez. Já a bebida feita com tâmaras e cevada, parecida com cerveja, era consumida pelo povo comum. O vinho era sagrado — e exclusividade divina.
🍇 Grécia: o vinho como filosofia e celebração
Foi na Grécia Antiga, no entanto, que o vinho se tornou uma verdadeira instituição cultural. Por lá, ele ganhou um deus próprio: Dionísio (ou Baco, para os romanos), divindade do vinho, da fertilidade, do êxtase e da liberdade. Os simposions, banquetes regados a vinho, poesia e debate filosófico, eram espaços de lazer e reflexão. Mas atenção: o vinho grego era sempre diluído em água. Beber puro era considerado bárbaro!
A mitologia grega está repleta de referências ao vinho como condutor de inspiração e loucura — uma dualidade que revela a complexidade da bebida. Para os gregos, o vinho podia elevar ou destruir. Era preciso sabedoria para usá-lo bem.
⚱️ Cultura e técnica lado a lado
Os gregos também levaram o vinho para além da religião e da arte. Desenvolveram vinhedos em ilhas como Creta e Santorini, começaram a classificar regiões produtoras e disseminaram a viticultura por toda a bacia do Mediterrâneo. Eram, em essência, embaixadores do vinho no mundo antigo.
O vinho passou a ser armazenado em ânforas seladas com cera ou resina de pinho (a origem do atual Retsina grego), e até transportado por rotas marítimas — antecipando o comércio global de vinhos séculos depois.
🍷 Harmonize com a história
Para brindar esse capítulo da história, experimente vinhos que evocam essa aura ancestral:
- Retsina (Grécia): vinho branco aromatizado com resina de pinho — herança direta dos tempos antigos.
- Vinhos gregos modernos com uvas autóctones como Assyrtiko ou Agiorgitiko.
- Rótulos egípcios contemporâneos (raros, mas existem!), produzidos em oásis e regiões desérticas.
👉 Em breve: Capítulo 3 – Roma: o Império da Videira
Prepare-se para a expansão, o luxo e o nascimento da viticultura como a conhecemos hoje.